Teu caminho
Teu caminho é prisão - a mais segura.
Dele não saberás jamais fugir!
É minha ausência - invólucro da agrura,
Um bruto carcereiro a te afligir.
Teu caminho é prisão onde a tortura
Anda a sangrar a face do existir.
Tudo tornou-se em ti qual noite escura
Quando o teu lábio o Adeus quis proferir.
Há pedras de tristeza nas estradas,
Há flores, pela angustia pisoteadas...
Não tenho vida e a lamentar te digo:
Inclina o rosto, amor, por onde vais:
Junto aos teus pés verás um rastro a mais....
É minha vida que se foi contigo!...
Claudia Dimer
sábado, 18 de maio de 2013
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Soneto sem fim
A minha dor não tem um fim, não tem!
Eternamente fez em mim morada.
E chora essa minha alma entre o desdém
Um choro de criança abandonada.
Não a conheço ou sei de onde é que vem,
Procuro a causa e não encontro nada.
Talvez ela me venha de ninguém,
De ser ninguém, ou de não ser amada.
Se um instante, de mim se compadece,
Fica invisível como o Arlequim
Mas, para me zombar reaparece!
Eu trago tanta dor dentro de mim
Que a expressaria apenas se eu fizesse
Um Soneto que não tivesse fim!...
Claudia Dimer
A minha dor não tem um fim, não tem!
Eternamente fez em mim morada.
E chora essa minha alma entre o desdém
Um choro de criança abandonada.
Não a conheço ou sei de onde é que vem,
Procuro a causa e não encontro nada.
Talvez ela me venha de ninguém,
De ser ninguém, ou de não ser amada.
Se um instante, de mim se compadece,
Fica invisível como o Arlequim
Mas, para me zombar reaparece!
Eu trago tanta dor dentro de mim
Que a expressaria apenas se eu fizesse
Um Soneto que não tivesse fim!...
Claudia Dimer
sexta-feira, 29 de março de 2013
Páscoa
Lembro a Páscoa nos dias de criança;
Cheia de amor carinho e inocência,
Sinônimo de toda a esperança,
Ressurreição, renovo e consciência.
Na véspera, à noite, em sonolência
Ia dormir na espera e numa ânsia
Que o dia amanhecesse. Que lembrança!
Que imagem agradável da existência!
Tão humilde o meu Pai mas a sorrir
Comprava o chocolate que podia.
Dizia: É o coelhinho!... a se fingir...
Que mentirinha doce! Que alegria!
Papai não era o único a mentir...
Também de acreditar eu me fingia!
Lembro a Páscoa nos dias de criança;
Cheia de amor carinho e inocência,
Sinônimo de toda a esperança,
Ressurreição, renovo e consciência.
Na véspera, à noite, em sonolência
Ia dormir na espera e numa ânsia
Que o dia amanhecesse. Que lembrança!
Que imagem agradável da existência!
Tão humilde o meu Pai mas a sorrir
Comprava o chocolate que podia.
Dizia: É o coelhinho!... a se fingir...
Que mentirinha doce! Que alegria!
Papai não era o único a mentir...
Também de acreditar eu me fingia!
segunda-feira, 25 de março de 2013
FESTIM
Morre o Sol... a penumbra principía...
Mas não há luto, a noite é um Festim!
O vento canta, o mar se contagia,
E as ondas dançam num bailar sem fim.
Estrelas se iluminam de alegria.
Se perfuma a Coirana no jardim!
O céu de azul cobalto se atavia,
As nuvens vestem trages de cetim.
O monte, de beleza embriagado,
Esconde o brando Sol que é transformado
Na última luz; um pálido filete...
A Lua a transbordar - bandeja prata,
Sobre a mesa adornada; a verde mata,
Serve o clarão à terra, em gran' Banquete!
Claudia Dimer
segunda-feira, 11 de março de 2013
Estrelas
Estrelas que falavam aos poetas
Que eram capazes de entender e ouvi-las
Palavras comoventes e completas
Deixando todos pasmos a seguí-las
Estrelas dos amantes, dos estetas,
Nas noites pelos campos pelas vilas...
Nas saudades em ânsias já repletas
Luzindo o amor das almas a remí-las
Falai ao homem que meu ser mais quer,
Vós que deixais poetas comovidos,
Estrelas não faleis a mim! Eu clamo!
Se a noite contemplando ele estiver
Venham todas! gritai aos seus ouvidos;
Venham todas! Dizei o quanto eu o amo!
Que eram capazes de entender e ouvi-las
Palavras comoventes e completas
Deixando todos pasmos a seguí-las
Estrelas dos amantes, dos estetas,
Nas noites pelos campos pelas vilas...
Nas saudades em ânsias já repletas
Luzindo o amor das almas a remí-las
Falai ao homem que meu ser mais quer,
Vós que deixais poetas comovidos,
Estrelas não faleis a mim! Eu clamo!
Se a noite contemplando ele estiver
Venham todas! gritai aos seus ouvidos;
Venham todas! Dizei o quanto eu o amo!
quinta-feira, 7 de março de 2013
Casinha linda
Casinha linda, envolta ao verde e às flores;
Castelo dos meus sonhos infantis!
A desenhava em meio a um céu de cores,
Morando nela a infância foi feliz.
Dela mudei-me. À tarde um sino, em dores
Parece,soluçava na Matriz...
Juntei os meus brinquedos (meus valores)
Meu balancinho na árvore desfiz.
Casinha linda! Ainda eu a desenho;
Daquela tarde lembro e triste venho
A rabiscá-la em tinta de nanquim...
Desenho essa minh'alma que sorria
Juntando uma bagagem de alegria
Naquela tarde, a se mudar de mim...
Casinha linda, envolta ao verde e às flores;
Castelo dos meus sonhos infantis!
A desenhava em meio a um céu de cores,
Morando nela a infância foi feliz.
Dela mudei-me. À tarde um sino, em dores
Parece,soluçava na Matriz...
Juntei os meus brinquedos (meus valores)
Meu balancinho na árvore desfiz.
Casinha linda! Ainda eu a desenho;
Daquela tarde lembro e triste venho
A rabiscá-la em tinta de nanquim...
Desenho essa minh'alma que sorria
Juntando uma bagagem de alegria
Naquela tarde, a se mudar de mim...
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Lua na vidraça
Claudia Dimer
Eu sou a Lua branca na janela
À noite, quando o sono em ti viceja...
Dorme, amor! Que teu ser em sonho veja
A Lua que teu sono brando vela!
Eu sou a Lua triste! Sim, sou ela
Que ao vidro da janela encosta e o beija
Rezando p´ra que o dia não esteja
Surgindo; que ele o meu brilhar cancela!
Eu sou a Lua muda e entristecida,
Claudia Dimer
Eu sou a Lua branca na janela
À noite, quando o sono em ti viceja...
Dorme, amor! Que teu ser em sonho veja
A Lua que teu sono brando vela!
Eu sou a Lua triste! Sim, sou ela
Que ao vidro da janela encosta e o beija
Rezando p´ra que o dia não esteja
Surgindo; que ele o meu brilhar cancela!
Eu sou a Lua muda e entristecida,
A noite escura e fria é minha vida,
Teu sono é a indiferença para mim...
Teu sono é a indiferença para mim...
Raiando o Sol luzente, a noite passa,
Acorda, amor! Acorda! Olha a vidraça;
Está vazia... é dia, é já meu fim!...
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