terça-feira, 11 de maio de 2010

NOITE CHUVOSA

Vaga a noite chuvosa;  triste e lenta
A vislumbrar a luz em relampejos...
Parece louca e morta de desejos
De aumentar o vazio que  atormenta.

 Dela todo o ser vivo então se ausenta,
 são gelidos e rudes os seus beijos,
 traz uma  fina chuva que em voejos
 lacrimeja na rua nevoenta.

Noite chuvosa, passa!... vai direto
Pra algum lugar de sombras, não sei onde...
És tu que rouba estrelas? onde estão?

Tu és tão triste e fria em teu trajeto
Que até a lua se te vê se esconde
P'ra  se abrigar nos braços da amplidão!

quinta-feira, 6 de maio de 2010


Claudia

A CRIANÇA FEBRIL

Havia uma adorável menininha,
Única filha; meiga e tão graciosa!
Em certa noite a febre então lhe vinha...
Cuidava dela a mãe doce e amorosa.

No torpor da febre alta a criancinha
Num descuido da mãe tão carinhosa,
Sai da cama e pra rua vai sozinha...
E atravessa uma estrada perigosa!

E a mãe veio à correr desesperada;
Vê sua filha a salvo na calçada
Que já sem febre e alegre proferiu:

- O Anjinho luminoso e prateado
Que estava o tempo todo do meu lado,
Me retirou da estrada e então sumiu!



Claudia Dimer


TITANIC

Era o maior navio que existiria...
De suntuosa beleza e majestade!
Que até alguém ousou dizer (verdade...?)
Que nem o próprio Deus o afundaria!

No seu interior riqueza tal havia
Que navegá-lo era a maior vontade...
Aos passageiros só felicidade!
Com as três classes o navio seguia.

O seu horror nem foram tantas mortes,
Sua historia num mal maior implica,
Outra tragédia que o seu fim encobre...

O triste fato de tirarem sortes;
De se salvar à tanta gente rica,
De morrer quase toda a gente pobre!



Claudia Dimer

Claudia

A cura da alma (titulo provisório)

Eu já nem vivo, eu sei, estou ciente;
A minha vida é sombra que perdura!
Eu já morrí pro amor, morrí tão pura
Tal qual a bela flor... e o que ele sente?

Te procurei! bem sei; me eras ausente...
Eu aprendí no fim dessa procura
Que ao encontrar o amor se encontra a cura
Da alma que a solidão torna doente.

Mas se este amor curou-me a alma, então
sobre o amor bem mais fui aprendendo...
Quem é que entende tudo de paixão?

Pois ao encontrar o amor, mas, o perdendo,
A gente aprende nessa dor ingrata
Que o mesmo amor que cura também mata!



Claudia Dimer
O LUGAR


Nunca esqueço o lugar onde viví
Minha infância querida e adorada...
Entre belas paisagens eu crescí
Escutando o cantar da passarada.

Das fontes e vertentes eu bebí...
Eu tinha uma alegria tão sonhada!
Passou o tempo e agora percebí
Que esse lugar pra mim não mudou nada.

Ainda pelo ar se sente o cheiro
De uma bela manhã primaveril
E até hoje floresce o limoeiro...

Tudo está lá; a pedra, a rua, o rio,
Ainda existe até aquele angazeiro...
Só a minha alegria é que sumiu!



Claudia Dimer
Pérola gigante



Tomba o dia... o sol rútilo esmorece
Na derradeira luz enlanguescida...
De uma essência de aurora diluida
Faz-se um vapor de sombras... anoitece!


A noite é como sábia monja em prece
Com sua mão de bençãos estendida,
Vigilante da terra adormecida,
Guardiã do silêncio que eternece.

E as estrelas parecem lá nos céus
Cristais de diamante em negros véus
Ninfas da noite num silênte rito...

E a lua nívea em brilho cintilante
Me parece uma pérola gigante
Bem guardada na concha do infinito!








Claudia Dimer

sábado, 3 de abril de 2010


VEM LOGO

Teu corpo é feito qual nobre pintura...
Relíquia escultural dos alabastros!
Quais fortificações, domínios, castros
É o nosso amor tão forte que perdura.

Teu respirar é aroma e é brandura
O te olhar. Teus braços são dois mastros
Que em naus elevam velas rumo aos astros
À me levar aos mares de ternura!

Teu beijo tem sabor do melhor vinho
De seda é nosso leito e a noite é linho
Que em gozo se derrama o puro mel...

Vem logo antes que o dia resplandeça!
Cansado... repousar tua cabeça
Em meu seio... Depressa! Vem p'ro céu!

Claudia Dimer

MAL OU BEM

O amor... não sei... Não sei se é mal ou bem;
É o remédio que cura a mortal chaga,
Na mesma intensidade nos esmaga,
Nos leva à morte e toda a vida tem!

No seu surgir surge uma luz também,
No seu findar até o sol se apaga!
Não há felicidade que não traga,
Não há vazio tal se ele não vem!

Transforma o homem tímido em audaz
E o coração valente se estremece...
Vento rude que sopros doidos faz,

Brisa leve do mar que à noite desce!
Todos lembram da dor que as vezes traz...
Da paz que pode dar ninguém se esquece!



Claudia Dimer