quinta-feira, 25 de abril de 2013

Soneto sem fim

A minha dor não tem um fim, não tem!
Eternamente fez em mim morada.
E chora essa minha alma entre o desdém
Um choro de criança abandonada.

Não a conheço ou sei de onde é que vem,
Procuro a causa e não encontro nada.
Talvez ela me venha de ninguém,
De ser ninguém, ou de não ser amada.

Se um instante, de mim se compadece,
Fica invisível como o Arlequim
Mas, para me zombar reaparece!

Eu trago tanta dor dentro de mim
Que a expressaria apenas se eu fizesse
Um Soneto que não tivesse fim!...

Claudia Dimer

sexta-feira, 29 de março de 2013

Páscoa

Lembro a Páscoa nos dias de criança;
Cheia de amor carinho e inocência,
Sinônimo de toda a esperança,
Ressurreição, renovo e consciência.

Na véspera, à noite, em sonolência
Ia dormir na espera e numa ânsia
Que o dia amanhecesse. Que lembrança!
Que imagem agradável da existência!

Tão humilde o meu Pai mas a sorrir
Comprava o chocolate que podia.
Dizia: É o coelhinho!... a se fingir...

Que mentirinha doce! Que alegria!
Papai não era o único a mentir...
Também de acreditar eu me fingia!

segunda-feira, 25 de março de 2013



















FESTIM

Morre o Sol... a penumbra principía...
Mas não há luto, a noite é um Festim!
O vento canta, o mar se contagia,
E as ondas dançam num bailar sem fim.

Estrelas se iluminam de alegria.
Se perfuma a Coirana no jardim!
O céu de azul cobalto se atavia,
As nuvens vestem trages de cetim.

O monte, de beleza embriagado,
Esconde o brando Sol que é transformado
Na última luz; um pálido filete...

A Lua a transbordar -  bandeja prata,
Sobre a mesa adornada; a verde mata,
Serve o clarão à terra, em gran' Banquete!



Claudia Dimer

segunda-feira, 11 de março de 2013

Estrelas

Estrelas que falavam aos poetas
Que eram capazes de entender e ouvi-las
Palavras comoventes e completas
Deixando todos pasmos a seguí-las

Estrelas dos amantes, dos estetas,
Nas noites pelos campos pelas vilas...
Nas saudades em ânsias já repletas
Luzindo o amor das almas a remí-las

Falai ao homem que meu ser mais quer,
Vós que deixais poetas comovidos,
Estrelas não faleis a mim! Eu clamo!


Se a noite contemplando ele estiver
Venham todas! gritai aos seus ouvidos;
Venham todas! Dizei o quanto eu o amo!

quinta-feira, 7 de março de 2013

Casinha linda

Casinha linda, envolta ao verde e às flores;
Castelo dos meus sonhos infantis!
A desenhava em meio a um céu de cores,
Morando nela a infância foi feliz.

Dela mudei-me. À tarde um sino, em dores
Parece,soluçava na Matriz...
Juntei os meus brinquedos (meus valores)
Meu balancinho na árvore desfiz.

Casinha linda! Ainda eu a desenho;
Daquela tarde lembro e triste venho
A rabiscá-la em tinta de nanquim...

Desenho essa minh'alma que sorria
Juntando uma bagagem de alegria
Naquela tarde, a se mudar de mim...


domingo, 24 de fevereiro de 2013

Lua na vidraça

Claudia Dimer

Eu sou a Lua branca na janela
À noite, quando o sono em ti viceja...
Dorme, amor! Que teu ser em sonho veja
A Lua que teu sono brando vela!

Eu sou a Lua triste! Sim, sou ela
Que ao vidro da janela encosta e o beija
Rezando p´ra que o dia não esteja
Surgindo; que ele o meu brilhar cancela!

Eu sou a Lua muda e entristecida,
A noite escura e fria é minha vida,
Teu sono é a indiferença para mim...

Raiando o Sol luzente, a noite passa,
Acorda, amor! Acorda! Olha a vidraça;
Está vazia... é dia, é já meu fim!...






terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Minha Mestra

Era a dona do mais sereno olhar;
O seu riso uma musica, uma orquestra.
No rostinho a ternura, a cor e um ar
Que o infantil coração atrai, sequestra.

Com alegria a ensinei brincar,
Qual dono amável que um bichano adestra,
Eu ensinei quem me ensinou a amar...
Eu ensinei a minha própria Mestra!

Segurei-a tão pouco nos meus braços,
Pequeno tempo para grandes laços,
Pequena paz, enorme desengano!...

A tiraram de mim em triste tarde;
De saudade minha alma ainda arde...
Minha doce boneca feita em pano!

Claudia Dimer